Comunicação: o problema e a solução | EP 30 José Adriano Talks com Leirson Cunha

Por José Adriano

Se tem um tema que atravessa liderança, cultura, vendas, governança, família e rotina operacional, é comunicação. E não, comunicação não é simplesmente falar bem, ter boa dicção ou saber sustentar uma apresentação bonita no palco. Comunicação de verdade é quando a mensagem chega do outro lado com clareza, contexto e intenção preservada. Foi exatamente por isso que gravei esse episódio do José Adriano Talks, apoiado por BlueTaxMitySafeGrupo LPJ e KTGroup, com Leirson Cunha, empresário, conselheiro e autor do livro O problema é a comunicação e a solução também.

A conversa parte de um ponto que parece óbvio, mas quase nunca é praticado com disciplina: a maior falha de comunicação não está na fala, está na escuta. Muita gente entra em uma reunião, em uma conversa com o time ou até em um diálogo em casa já pensando na resposta, no argumento ou no conselho que vai dar. Só que, nesse modelo, a gente não escuta para entender. Escuta apenas para reagir. O resultado é previsível: ruído, retrabalho, desgaste e uma falsa sensação de alinhamento.

Um dos trechos mais valiosos do episódio está justamente nessa virada de chave. Em vez de pressionar o outro com um “ficou alguma dúvida?”, que muitas vezes constrange e empurra a pessoa para um “não” automático, Leirson propõe um caminho mais inteligente: trazer para si a responsabilidade pela clareza. Perguntar se precisa de mais algum esclarecimento, ou se você conseguiu se explicar bem, muda o clima da conversa. Parece detalhe, mas não é. É técnica com empatia. E empresa madura precisa exatamente disso, menos vaidade na emissão e mais compromisso com a compreensão.

Outro ponto forte do episódio é a relação entre comunicação, tom e verdade. Nem sempre o problema está no conteúdo. Muitas vezes está na forma. Leirson compartilha um caso da pandemia em que, diante de uma situação delicada de viagem e cancelamentos, escolheu escrever com respeito, contexto e autenticidade, enquanto outras pessoas optaram por um discurso agressivo e cheio de exigências. O desfecho foi diferente. Isso não é romantização. É constatação prática de que comunicação não é só o que se pede, mas como se pede. Em ambientes de tensão, o tom certo abre portas que a arrogância costuma fechar.

Tem ainda um aprendizado que vale ouro para líderes, conselheiros e para qualquer pessoa que convive com gente de verdade, fora do PowerPoint: comunicação também é silêncio. Nem toda conversa pede solução imediata. Nem todo desabafo pede conselho. Às vezes, o melhor movimento é ouvir, deixar o outro esvaziar a caneca e só depois construir alguma resposta. Essa percepção, que nasceu de uma experiência dentro de casa e virou um código familiar entre eles, tem aplicação direta no mundo corporativo. Quem lidera time e responde no susto quase sempre aumenta o ruído. Quem escuta antes, normalmente melhora a decisão.

Quando a conversa entra no ambiente empresarial, fica ainda mais claro que comunicação não vive no manual. Ela aparece no cafezinho, no corredor, no almoço, na forma como a pressão é distribuída e no jeito como a urgência é nomeada. Gostei muito do exemplo que ele trouxe ao substituir “tarefa” por “missão” em sua empresa. Parece semântica, mas é cultura na prática. Palavra molda percepção. Percepção molda comportamento. E comportamento repetido vira padrão. O mesmo vale para as chamadas “missões paraquedas”, aquelas urgências que caem sem aviso e exigem ação rápida, coordenação e senso de prioridade. Comunicação boa não elimina crise. Mas reduz ruído e acelera resposta.

No campo da governança, o episódio também traz um recado importante. Em conselho, diretoria ou qualquer fórum de decisão, comunicar bem não é falar mais alto, nem ganhar no argumento. É entender o contexto, ouvir os atores envolvidos, identificar interesses, perceber sensibilidades e, quando necessário, trabalhar bastidor com discrição e maturidade. Nem toda divergência precisa ser enfrentada publicamente. Nem todo consenso nasce na mesa principal. Essa leitura mais humana do processo decisório faz muita diferença, especialmente em ambientes com ego, história, legado e pressão por resultado.

Talvez a frase mais simples e mais poderosa da conversa seja esta: não prometa nada que você não possa cumprir. Pode parecer básico, mas não é. Um retorno de ligação, um prazo assumido, uma sinalização feita no calor do momento, tudo isso pode ser pequeno para quem fala e enorme para quem espera. Comunicação, no fim do dia, também é ética operacionalizada. É coerência entre palavra, intenção e entrega. E isso vale no casamento, no atendimento ao cliente, na liderança da equipe e na atuação em conselho.

Se você quer melhorar a comunicação na sua empresa, na sua casa e nas suas relações profissionais, este episódio do José Adriano Talks merece sua atenção. É uma conversa prática, humana e muito aplicável, daquelas que ajudam a traduzir um tema aparentemente abstrato em atitude concreta. O episódio já está disponível no YouTube e nas plataformas de áudio. E aproveite para explorar os demais conteúdos do podcast. A proposta é exatamente essa: provocar reflexões executivas com profundidade, mas sem complicar o que precisa ser entendido e colocado em prática.

O José Adriano Talks é apoiado por BlueTaxMitySafeGrupo LPJ e KTGroup.

Ouça e participe:

O episódio completo está disponível no Spotify e demais plataformas de áudio. Links em https://www.joseadrianotalks.com.br/


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