Por José Adriano
Alta performance não é perfeição. É constância.
Essa frase abriu o novo episódio do José Adriano Talks e poderia resumir boa parte do que está em jogo nas organizações de hoje: entregar resultados consistentes num mundo que muda o tempo todo.
Neste episódio, recebi Fabíola Cargnino, CEO e fundadora da Sun Consultech, conselheira e empreendedora com uma trajetória sólida em tecnologia, gestão de projetos e governança. Falamos sobre o que realmente sustenta a alta performance em ambientes complexos — e por que a coerência e a comunicação são mais poderosas do que qualquer metodologia da moda.
Constância, não perfeição
Fabíola foi direta: a alta performance nasce da capacidade de manter entregas consistentes, mesmo errando, aprendendo e refazendo. O erro faz parte, desde que haja aprendizado e recomposição.
Em meio à volatilidade dos mercados e das equipes, a constância é o novo diferencial competitivo.
A conversa partiu desse ponto e rapidamente esbarrou em um tema que ecoa em toda empresa que cresce: como sustentar coerência e propósito quando tudo muda ao redor.
Segundo ela, o papel do líder é manter o time conectado àquilo que dá sentido. O discurso inspira, mas é o exemplo que convence. A liderança coerente é o antídoto para o cansaço organizacional.
A solidão do CEO e o poder do conselho
Empreender é, muitas vezes, solitário. Fabíola sentiu isso na prática. Ao criar a Sun Consultech no fim de 2019, percebeu o peso das decisões solitárias e decidiu fazer diferente: estruturou um conselho consultivo.
O conselho, hoje com quatro membros, tornou-se uma alavanca estratégica — e um espelho.
Com visões diversas, o grupo ajuda a questionar prioridades, trazer novos ângulos e manter a inovação na pauta.
Mais do que supervisão, é um espaço de diálogo e cobrança saudável.
O resultado? Uma CEO menos sobrecarregada e uma empresa mais disciplinada e preparada para o futuro.
Essa cultura de conselho, muitas vezes vista como “coisa de empresa grande”, ganha força nas PMEs.
Governança não é luxo: é um hábito de sustentabilidade.
Complexidade não é tamanho
Ambiente complexo não é sinônimo de empresa grande.
Complexidade é mudança constante — e o desafio é manter o time coeso enquanto tudo se move.
Fabíola explicou que, nesse cenário, comunicação e coerência se tornam o núcleo da liderança.
As pessoas não resistem à mudança em si; resistem ao que não entendem.
Quando o porquê é claro, a adaptação acontece.
Essa percepção, amadurecida ao longo de projetos robustos de ERP e transformação digital, revela algo simples e esquecido: a comunicação é o maior acelerador (ou trava) da performance.
Cultura que habilita transformação
A cultura é a personalidade da empresa.
É como as pessoas se tratam, como lidam com erros, como conversam com clientes e fornecedores.
E é ela que define se a inovação será moda passageira ou hábito duradouro.
Fabíola reforça que cultura e inovação precisam caminhar juntas.
Sem cultura, a inovação vira adereço.
Sem inovação, a cultura fica estagnada.
Transformação digital, nesse contexto, é menos sobre sistemas e mais sobre mentalidade.
É repensar processos, liberar autonomia com responsabilidade e usar a tecnologia como meio — não como fim.
O papel da TI e a nova governança
Um dos pontos mais provocativos da conversa foi a mudança no papel da TI.
Aquele modelo em que “tudo precisa passar pela TI” não cabe mais.
Hoje, as áreas de negócio têm autonomia para buscar e criar soluções, enquanto a TI se reposiciona como guardiã de governança e segurança.
Exemplo disso vem da Andrade Gutierrez, que treinou times contábil-fiscais para desenvolver e gerenciar robôs de RPA e agentes de inteligência artificial.
Deixou-se de lado a demonização do shadow IT e abriu-se espaço para autonomia produtiva com controle inteligente.
Governança, nesse novo cenário, não é bloquear.
É permitir com critério.
Governança como pilar de futuro
O Brasil ainda amadurece no tema governança.
Mas, como Fabíola bem pontuou, as empresas pequenas que nascerem com base sólida de governança estarão mais preparadas para crescer e competir globalmente.
A governança, dentro do ESG, conversa diretamente com valores de integridade e responsabilidade — princípios que sustentam negócios éticos e longevos.
Fazer o certo da forma certa continua sendo a melhor estratégia.
Reflexão final
Alta performance não é sobre trabalhar mais, é sobre entregar com sentido e constância.
Não é sobre controlar tudo, mas criar ambientes de autonomia responsável.
E, acima de tudo, é sobre liderar com coerência num mundo que muda rápido demais.
Governança, cultura e comunicação são as bases dessa nova performance — humana, sustentável e real.
Ouça e participe:
O episódio completo está disponível no Spotify e demais plataformas de áudio. Links em www.joseadrianotalks.com.br
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